Disfunção Erétil
Um homem de 50 anos entra no consultório relatando um cansaço que o café já não resolve, uma irritabilidade latente e a sensação de que o rendimento na academia — e na vida íntima — estagnou. Ele chega com uma certeza: “Doutor, minha testosterona deve estar no chão”. Esse cenário é quase onipresente na urologia moderna. No entanto, a distância entre o marketing das “clínicas de performance” e a fisiologia real do envelhecimento masculino é vasta.
Diferente do que ocorre na menopausa feminina, onde há uma queda abrupta e programada do estrogênio, o homem experimenta o que chamamos tecnicamente de Hipogonadismo de Início Tardio. Não é um abismo; é uma rampa suave. A partir dos 30 ou 35 anos, os níveis séricos de testosterona total declinam cerca de 1% ao ano. O problema é que esse declínio não ocorre no vácuo. A armadilha do diagnóstico simplista Muitos pacientes buscam a reposição hormonal como uma “pílula mágica” para a juventude.
Contudo, a ciência nos mostra que a testosterona é extremamente sensível ao estilo de vida. O tecido adiposo, por exemplo, não é apenas gordura estocada; é um órgão metabolicamente ativo que contém uma enzima chamada aromatase. Essa enzima converte a testosterona em estradiol (hormônio feminino). Portanto, muitas vezes, o nível baixo de hormônio não é a causa da obesidade, mas uma consequência dela.